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Bartolomé Bossi
Um expedicionário italiano em Mato Grosso





Nascido em Gênova, na Itália, por volta de 1819, Bartolomé Bossi emigrou para a Argentina na década de 1850, onde trabalhou como fotógrafo. Em 1860 comandou uma pequena expedição pela Província do Mato Grosso, com a intenção de estudar a geografia e os elementos naturais dos locais visitados, além de fazer um levantamento para a elaboração do primeiro mapa da região, que até então permanecia em grande parte inexplorada.
A viagem resultou no livro “Viaje Pintoresco…”, publicado originalmente em Paris, em 1863, e dedicado ao Barão de Mauá. O relato (em espanhol) de sua jornada – um extenso documento histórico, etnográfico e geográfico – é ilustrado com um mapa do seu itinerário de viagem, além de 34 xilografias feitas por Lacoste Ainé a partir das fotografias tomadas por Bossi, assim impressas devido às restrições técnicas da indústria gráfica da época.
Bossi registrou imagens dos índios Apiaká, Guaicuru (Kadiwéu) e Paresí, apesar das limitações impostas por seu pesado equipamento fotográfico, com chapas de vidro que precisavam ser sensibilizadas e reveladas no próprio local. Os índios retratados aparecem em poses individuais e em grupo, portando lanças, arcos, flechas, adornos e pinturas corporais. O viajante italiano faz uma interessante descrição sobre o estranhamento do encontro do indígena com a câmera fotográfica:
Quando coloquei minha máquina fotográfica para retratá-los, alarmaram-se, e tal foi sua preocupação que quiseram fugir, mas tranquilizei-os mostrando-lhes os retratos de outros índios e fazendo-lhes compreender que ia tirar os seus. Já seguros de que aquele não era um instrumento de extermínio, e de que meu ânimo não era hostil para com eles, mudou seu semblante; começaram a prestar atenção nos retratos dos demais índios e a rir-se estrepitosamente, em especial quando entre eles reconheceram um. (BOSSI, 2008)
As dificuldades enfrentadas ao longo da viagem, que vão desde o enfrentamento com ín dios até as doenças e mortes de seus companheiros, com ém escritor, armador, comerciante, marinheiro e cônsul. Morreu em Niza, na Itália, em 1890.
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REFERÊNCIAS
– BOSSI, Bartolomé. Viagem pitoresca pelos rios Paraná, Paraguai, São Lourenço, Cuiabá e o Arinos, tributário do grande Amazonas: com a descrição da província de Mato Grosso em seu aspecto físico, geográfico, mineralógico e seus produtos naturais. Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2008.
– BOSSI, Bartolomé. Viaje pintoresco por los rios Paraná, Paraguay, San Lorenzo, Cuyabá y el Arino tributario del grande Amazonas; con la descripcion de la provincia de Mato Grosso bajo su aspecto fisico, geografico, mineralojico y sus producciones naturales. Paris: Libreria Parisiense / Dupray de la Mahérie, 1863.
– KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.
– MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. Estou aqui. Sempre estive. Sempre estarei. Indígenas do Brasil. Suas imagens (1505-1955). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012.
– TACCA, Fernando de. “O índio na fotografia brasileira: incursões sobre a imagem e o meio”. História, ciências, saúde – Manguinhos – Vol. 18, nº 1, p.191-223. Rio de Janeiro., 2011. (disponível aqui)
ACERVO
– Acervo fotográfico não localizado.
– O Arquivo Nacional (RJ) possui em sua coleção o volume original do livro “Viaje Pintoresco….” (1863).